Você acha que o Carnaval é só festa?
O que o orçamento cultural de Santo André revela sobre quem decide a cidade
Quando um bloco ocupa a rua, muita gente vê apenas festa. Mas, por trás da música, existem leis, planejamento urbano e, principalmente, dinheiro público definido no orçamento municipal.
Neste artigo, o Coletivo Veracidade analisa como o Carnaval e os eventos culturais revelam as prioridades políticas de Santo André — usando dados reais da Lei Orçamentária Anual (LOA).
O que é a LOA e por que ela importa
A Lei Orçamentária Anual (LOA) define quanto dinheiro a Prefeitura vai arrecadar e onde ele será gasto em cada ano.
Ela é elaborada pelo Executivo e aprovada pela Câmara Municipal, e traduz em números as prioridades políticas do governo.
👉 Em 2024, o orçamento total de Santo André foi de cerca de R$ 5,6 bilhões.
👉 Para 2025, o orçamento estimado ficou em torno de R$ 5,0 bilhões, com queda real em relação ao ano anterior.
Ou seja: o orçamento mostra o que a cidade escolhe priorizar — e o que fica em segundo plano.
Quanto Santo André investe em cultura
A cultura aparece no orçamento por meio da Secretaria de Cultura, fundos municipais, editais e manutenção de equipamentos culturais (teatros, bibliotecas, centros culturais, festivais).
Em 2025, a área de cultura sofreu redução de cerca de 25,9% no orçamento municipal, segundo análises da proposta orçamentária.
👉 Isso significa menos recursos para:
- blocos e festas populares
- editais culturais
- manutenção de equipamentos culturais
- projetos comunitários
O orçamento não é neutro. Ele define quem tem acesso à cultura e em quais territórios.

Carnaval e o custo real da cidade em festa
Quando um bloco ocupa a rua, a Prefeitura ativa várias políticas públicas que têm custo direto no orçamento:
Limpeza urbana- varrição extra
- coleta especial
- lavagem de vias
- Guarda Civil Municipal
- planejamento de trânsito
- rotas de emergência
- desvios de ônibus
- bloqueios viários
- sinalização
Tudo isso é financiado com dinheiro público proveniente de impostos como IPTU, ISS e transferências estaduais e federais.
Quem decide onde pode ter Carnaval
A autorização de eventos de rua depende de normas municipais de ocupação do espaço público, zoneamento urbano e políticas culturais.
Isso envolve:
- secretarias municipais
- órgãos de trânsito
- Guarda Civil Municipal
- pareceres técnicos
- decisões políticas do Executivo
👉 Quando um bairro tem muitos eventos culturais e outro não, isso não é coincidência — é política territorial.
Cultura como política urbana
O orçamento cultural revela uma pergunta central:
quem pode ocupar a cidade com cultura?
Se o investimento cultural diminui, a cidade tende a:
- concentrar eventos em áreas centrais
- reduzir apoio a periferias
- limitar a cultura comunitária
Carnaval, portanto, não é só festa.
É disputa por orçamento, espaço urbano e direito à cidade.
Orçamento é democracia em números
O orçamento municipal é uma lei pública.
Você pode acompanhar, questionar e participar de audiências públicas.
👉 A Prefeitura de Santo André disponibiliza consultas públicas e audiências para a LOA e LDO, permitindo participação cidadã.
Democracia não é só votar a cada quatro anos.
É acompanhar onde o dinheiro está sendo gasto todos os anos.
A cidade também é sua
O Carnaval mostra uma cidade viva.
Mas o orçamento mostra quem decide essa cidade.
Você pode:
- acompanhar o orçamento cultural
- cobrar vereadores
- participar de audiências públicas
- fortalecer coletivos culturais
- exigir transparência
Quanto você acha que Santo André deveria investir em cultura?
Seu bairro recebe investimentos culturais ou fica de fora?